Entendendo a defesa do Vikings – Parte 2.

 

Sköl, torcida do sangue roxo! Para dar prosseguimento à análise da melhor defesa da temporada regular passada, é importante passarmos superficialmente por três conceitos: “Técnica Press Man”, “Defesa 4-3 stunt” e “Double A Gaps”, então mãos a obra!

 

Técnica Press Man:  Fortemente usada nas defesas de Mike Zimmer em qualquer das duas coberturas na última postagem comentadas. Em tal forma de atuação, o defensor alinha-se próximo à scrimmage, cara a cara com o atacante. Tal posição o concede uma maior oportunidade de defender qualquer passe curto e, principalmente, de causar algum impacto físico no atacante dentro das cinco jardas de distância da scrimmage (conforme preceitua a regra) para, com isso, atrapalhar fortemente a rota do atacante bem como o timing entre o Quarterback e seu alvo.

Para utilizar tal técnica, times buscam defensores bastante físicos e de braço longo que consigam sobrepujar o atacante na scrimmage sem perder a capacidade de cobertura em rotas longas, caso o contato não tenha sido bem sucedido. Uma exceção na história recente do Vikings foi o baixinho – porém excepcional – Antoine Winfield que, graças à sua fantástica técnica, compensava seu diminuto porte com exatidão no uso das mãos na hora do contato. Atualmente o maior expoente na execução da técnica Press Man é Xavier Rhodes: Provavelmente o melhor na liga em tal função. 

 

Defesa 4-3 stunt: É uma forma de utilizar a defesa 4-3 com mudanças significativas na postura e na responsabilidade dos defensive linemen. Enquanto o posicionamento comum da linha defensiva transcorre, na defesa convencional, da seguinte forma:

Os dois DE's posicionam-se geralmente frente ao ombro externo dos OT's com foco principal em alcançar o QB (caso haja TE, entre o OT e o TE), um DT posiciona-se entre um OG e um OT com responsabilidade de apenas um gap, com intuito mais disruptivo e, por fim, o outro DT posiciona-se entre o C e o outro OG, com responsabilidade de dois gaps e com função de avocar para si dois bloqueios, conforme imagem ao lado.

 

 

A linha da defesa 4-3 stunt tem como foco confundir o sistema de bloqueio do ataque bem como controlar a linha de scrimmage, direcionando (em vez de ser direcionado por) o atacante para realizar o bloqueio em uma parte do campo que seja satisfatória para os demais defensores realizarem o principal objetivo da defesa na jogada: seja realizar o sack, seja tacklear em campo aberto. 

Em tal variação, não há DT com responsabilidade de segurar dois bloqueios constantemente: Há uma responsabilidade dos dois DT's por “1 gap e meio”, ou seja: A leitura da dupla e a movimentação entre eles com cruzamentos do ponto de ataque e variação frequente de bull rush e pass rush entre um e outro atormenta a leitura prévia dos três jogadores da parte interna da linha ofensiva. Os DE's, por sua vez, alinham-se ora de forma convencional, ora muito além do último ponto ocupado pela OL, com foco dividido entre alcançar o QB ou simplesmente anular um bloqueio para facilitar o trabalho dos LB's, criando absoluta indecisão sobre qual o melhor ângulo de ataque para bloqueio. É a partir dessa dúvida generalizada gerada na linha ofensiva e nos bloqueios auxiliares que surge o trunfo desse sistema defensivo.


Double A Gaps: É algo bastante utilizado na Liga hodiernamente: Trata-se de um posicionamento de dois LB's bem próximos à scrimmage, entre o C e os OG's. Trata-se de uma tática usada em terceiras descidas onde, mais uma vez, o intuito é criar incerteza na execução da jogada do ataque:

Ao não saber se os LB's irão em busca do QB, se recuarão para cobrir o passe ou simplesmente evitarão o avanço de bloqueios para o segundo nível da defesa, o QB provavelmente precisará fazer algum audible (mudança de jogada na linha de scrimmage) para leitura da defesa. Uma simples falha de comunicação entre o arremessador e algum dos outros dez jogadores do ataque põe a jogada a perder. 
Desta forma, fica nítido o foco do Coach Zimmer em causar incerteza (principal inimiga de qualquer jogada ofensiva) no ataque, seja através da variação das formas de cobertura, seja através de uma atuação pouco convencional da sua linha defensiva, que faz boa parte do “trabalho sujo” ou ainda através de um posicionamento agressivo dos LB's em ocasiões onde algumas defesas tendem a ser muito mais precavidas. Por mais que a filosofia de Mike Zimmer pouco tenha mudado em toda sua passagem na NFL, ela particularmente tem feito extremo sucesso nos Vikings por conta das peças com as quais ele pode contar. 
    O comprometimento tático de toda linha defensiva é fundamental na execução de uma defesa stunt e ele foi agraciado em poder trabalhar com atletas desprovidos de grande ego e, principalmente, versáteis: Todos os Defensive Linemen no plantel têm capacidade de caçar o QB bem como de controlar bloqueios. Prova disso é o uso constante de DE's na posição de DT em terceiras descidas e o absurdo atleticismo de Linval Joseph: jogador que seria um mero contendor de bloqueio mas que participa de gang tackles em absolutamente toda parte do campo.
    Já o corpo de LB's, por conta de sua sintonia e versatilidade, caíram como uma luva para o uso do Double A Gaps, em especial dos ex-colegas de Universidade Barr e Kendricks. Ambos anulam bloqueios acima da média da posição na Liga e assim também o fazem nas coberturas em zona.
    Com o front seven executando funções complexas de forma magistral e causando constante confusão no ataque, o grande beneficiado foi o outrora elo frágil do time: o corpo de DB's. Não apenas beneficiados por estratégias, eles agregam absurdamente ao que é proposto ao ter o melhor CB de Press Coverage em Rhodes e o melhor Safety all around da liga em Smith: Maximizam a eficácia da concepção Double A Gaps por haver real possibilidade de muita blitz, uma vez que a secundária consegue lidar com situações de exposição e fecham o ciclo de execução da defesa stunt quando os ataques, em formações mais pesadas, anulam os LB's com FB's e TE's, deixando o carregador da bola no mano a mano contra Smith ou Sendejo, o que tende a nos favorecer em ampla maioria das vezes.
    Eis o que é possível chamar de tempestade perfeita: A junção de peças que se complementam atuando em uma defesa cuja profunda composição consegue extrair delas o máximo que é possível. O mais importante de tudo: A defesa, nos moldes em que foi pensada, requer ter “apenas” um CB, um MLB e um DT acima da média. Os jogadores – e, por conseguinte, seus empresários – sabem da facilidade de reposição no caso em tela e têm duas escolhas: ou aceitam contratos menores ou precisam performar em um nível muito além do esperado para conseguir um contrato mais lucrativo. A mentalidade de defesa do Coach Zimmer, portanto, veio para dar uma cara vencedora à franquia dentro e fora de campo. Sköl, Zimmer!

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