Diggs e Waynes de saída? Pode parecer loucura, mas não fique surpreso se isso acontecer no xadrez da NFL...

 

Salve torcida do sangue roxo!!! Com a temporada 2018 sendo encaminhada com as escolhas de Draft e início dos treinos para calouros, em breve deveremos ter novidades sobre como será o rumo do elenco dos Vikings para esta temporada. UDFA (undrafted free agents, calouros não escolhidos no Draft, que assinam com os times após o termino do evento) brigando por uma chance no elenco, novatos na disputa para substituir antigos veteranos do time, veteranos mostrando serviço para manter suas carreiras na NFL. Muitos de vocês devem ter ficado intrigados e espantados com o título do artigo, pensando “como assim Diggs e Waynes de saída? O Waynes até pode ser, mas o Diggs? ” Pois bem, por mais que soe loucura ver os Vikings em 2018 sem estas duas importantes peças em seu elenco, entenda o porquê não é algo tão impossível assim.

 

1.    Jogadores Premium nos elencos da NFL:


Não é de hoje, que a liga tem se tornado muito mais engajada em jogadas aéreas do que corridas, prova disso são os números totais de jogadas buscando o passe, frente as jogadas terrestres, pois bem, seguindo esta linha de raciocínio, os WR’s são obviamente peças chaves para o sucesso deste tipo de jogada. Na NFL de hoje, posições como WR, DE, OT, QB e CB são consideradas Premium, ou seja, imprescindíveis para a composição de elencos da NFL, certo? Correto, porém a recente história de seleção de calouros da NFL (famoso Draft) nos intriga um pouquinho, quando se trata de considerar os WR’s e os CB’s como jogadores Premium. Buscando dados e números dos últimos 10 anos de Draft (2009 – 2018), notamos a seguinte distribuição de escolhas:


Primeira escolha geral dos últimos 10 anos: 7 escolhas de QB’s (obviamente, posição mais importante do esporte), 2 escolhas de DE’s e 1 escolha de OT’s.


Top 3 escolhas dos últimos 10 anos somadas: 13 QB’s, 7 DE’s, 4 OT’s, 3 DT’s, 2 RB’s e 1 LB


Nota-se que nos últimos 10 anos somados, nenhum jogador da posição de WR ou CB foi escolhido por nenhum dos 20 times que possuíram escolhas top 3 nestes anos. Seja por habilidade dos jogadores de ditas posições não merecerem sair tão alto em determinado Draft, seja por não haver necessidade latente dos times com estas primeiras escolhas, dentre 30 escolhas desde 2009, nenhum jogador sequer considerado de posição Premium (os salários destes jogadores explicam o porquê são considerados Premium) “valeu” a escolha destes times.

 

 - Isso não é o bastante, certo, OK, seguimos o raciocínio...

 

2.    Corpo de recebedores/corners da NFL:

 

Analisando os times da NFL em 2018 e sua composição de elenco (falaremos em WR’s e CB’s apenas), chegamos a algumas conclusões que podem ajudar a explicar o quão difícil e complexo é manter um elenco, porém alguns padrões servem para grande maioria dos times.


A. Descontando os contratos de calouros, apenas 6 times na NFL possuem seus 2 ou 3 principais WR's com salários superiores a 20mi (somados) no elenco. (ATL - CHI - DEN - GB - MIA - TB). 


B. Destes times, Miami e Chicago chegam em 2018 com um corpo novo de recebedores, o que “justifica” os altos valores, por conta de novos contratos de Free Agency.


C. Apenas 2 times que mais investem em WR’s na NFL (Falcons e Buccaneers) tiveram seus ataques aéreos no Top 10.


D. Falando em CB’s e descontando também os contratos de calouros, este número sobe para 9 times, onde seus 2 ou 3 principais CB's tem salários superiores a 20mi (somados) no elenco. (ARI - ATL - BAL - CHI - HOU - JAX - LA - NYJ - TEN). 


E. Destes times, Jets, Titans, Rams, Texans e Jaguars chegam em 2018 com um corpo novo de corners, o que “justifica” maiores valores, por conta de novos contratos de Free Agency.


F. Dentre os times que mais gastam com CB’s, apenas 3 times (Baltimore, Chicago e Jacksonville) tiveram suas defesas contra o jogo aéreo no Top 10 da NFL.

 

Em resumo, mesmo os times gastando muito dinheiro em determinadas posições consideradas Premium pela NFL hoje (WR e CB), o investimento nem sempre resulta nos melhores resultados. Modelos de alguns times da NFL como Patriots, Eagles, Steelers, Texans, Chargers, por exemplo, optam por priorizar 1 recebedor como alvo principal e adicionam outros jogadores para auxiliar no corpo de WR’s, o mesmo acontece para os CB’s, onde alguns times priorizam 1 CB principal para marcar justamente o WR1 adversário e rodam jogadores menos “badalados” para composição de elenco. Esta “fórmula” ajuda os times a manter uma folha salarial equiparada e a manter um time mais equilibrado entre os gastos com determinadas posições. 


- “Ah, mas isso ainda não explica o motivo de deixar sair do time ótimos jogadores como Diggs e Waynes”. Correto, seguimos com nossa análise...

 

3.    Novas peças para o elenco:


Os Vikings planejando não somente o ano de 2018, mas sim a manutenção da equipe para o futuro a longo prazo, trouxeram alguns jogadores nesta intertemporada, para batalha de posições e incremento no seu grupo de jogadores. Nomes como Brandon Zylstra, (líder da CFL em 2017 com 1687 jardas e ALL-Star CFL team), Jake Wieneke, (com mais de 5,000 jardas aéreas e 59 TD’s em sua passagem pela universidade de South Dakota) e Korey Robertson, (com bons números em seu último ano na universidade de Southern Mississippi e uma “compensação” em valores garantidos de USD 50.000,00 como UDFA, para que o jogador não saísse do time nesta pre-temporada. Este valor é o maior já pago pelos Vikings na era Zimmer para um UDFA), além dos jogadores já conhecidos, como Stace Coley, Laquon Treadwell e Kendall Wright.
Para a posição de CB, a história não muda e com investimento de uma escolha de 1ª rodada de draft, com Mike Hughes, contratação de novos UDFA’s Holton Hill (por muitos, jogador com habilidade para sair no Draft ainda no segundo dia, não fossem seus problemas extracampo), Trevon Mathis (calouro de Toledo) e Craig James (da universidade de Southern Illinois), além dos veteranos Horace Richardson, Terence Newman e Marcus Sherels, o grupo deverá ter bastante movimentação nos treinos deste ano, afinal de contas, para o pragmático Zimmer, “nunca é demais ter bons CB’s no time.”

 

- Sabemos que estes “reforços” de pré-temporada são normais e muitos não se tornam nem jogadores ao final do corte dos 53 que iniciam a temporada regular, por isso listamos mais um argumento de peso, para entender o raciocínio do artigo.

 

4.    Composição do elenco dos Vikings:


Os Vikings possuem discutivelmente a melhor defesa de toda a NFL, os números da temporada regular passada comprovam. Obviamente, deter esta posição na liga exige uma compensação financeira a seus participantes. Baseado nisto, o time de Minnesota começa a temporada de 2018 com a 4 ª maior folha salarial defensiva ($98 mi) e determinadas posições já possuem suas peças chaves. Xavier Rhodes ($ 13,4mi), Anthony Barr ($12,3mi), Everson Griffen ($11,6mi), Harrison Smith ($10mi), Linval Joseph ($8,05mi) são alguns dos nomes com contratos altos e a longo prazo, que fazem da folha dos Vikings uma das mais caras da NFL. Kendricks que teve seu contrato renovado nesta intertemporada, não fará uma significativa diferença neste ano de 2018, por conta da estrutura de seu contrato, mas também entrará na balança no início da próxima jornada em 2019. Este “peso monetário” frente ao Salary Cap do time (teto salarial, que todas as franquias da NFL precisam respeitar ao longo de uma temporada) é o principal motivo, para a necessidade de renovação do elenco e a latente ameaça a carreira de Trae Waynes com os Vikings. O jogador terá um valor de $9mi frente ao time no ano de 2019 e a chegada de um jogador de primeira rodada no Draft a equipe, pode significar a preparação de campo para a posição de CB2 do time de Minnesota. Waynes teve uma excelente participação junto a equipe em 2017-2018 e possivelmente conseguirá um contrato generoso e longo, entrando na Free Agency ao final de seu contrato. Danielle Hunter e Anthony Barr também possuem seus contratos chegando ao fim, porém sem escolha direta por parte do time neste Draft de 2018, suas posições junto ao time parecem ser prioridade do gabinete de Rick Spielman e companhia.


Stefon Diggs por sua vez, é uma história um pouco mais complexa e sua manutenção junto a equipe deverá mexer ainda mais nos cofres do time. A estrela do “Minneapolis Miracle” está em seu último ano de contrato com os Vikings e é tido na NFL como um excepcional WR, o que eleva ainda mais seu valor frente ao mercado. Renovações recentes de jogadores desta posição, como a de Mike Evans (TB), Jarvis Landry (CLE), Sammy Watkins (KC), apontam que um novo contrato para Diggs deva girar em torno de $15-16mi anuais, o que por si só já configura um grande montante do Salary Cap, porém esta cifra deverá criar uma nova e complicada situação junto a equipe. Isso porque o WR com maior número de jardas aéreas na temporada passada foi Adam Thielen, que renovou seu contrato em 2017 por “modestos” $20mi (4 anos). Possuir 2 jogadores de produções parecidas (Diggs mais TD’s, Thielen mais jardas e recepções) com salários tão diferentes pode e deve criar problemas nos vestiários do time. Todos sabemos que os contratos são negociados caso a caso, cada jogador possui um determinado agente e seus números e desempenho junto ao time ditam as cifras de cada contrato, mas como justificar o salário de um jogador com mais de 1200 jardas aéreas em 2017 ser quase 3 vezes menor do que seu parceiro que teve produção parecida no mesmo período? Jogadores como Julio Jones do Atlanta Falcons ($14,25) reclama de seu atual contrato e não deve treinar junto do time neste início de temporada, até que seu contrato seja revisto pela equipe, o mesmo acontece com Le’Veon Bell dos Steelers, que busca um novo contrato com valores mais “condizentes” a sua participação junto ao time de Pittsburgh, sem falar de Aaron Donald dos Rams, que é tido por alguns especialistas como o melhor defensor de toda a NFL. Por este motivo a renovação de contrato de Diggs pode mexer não somente com seu salário em si, mas desencadear uma necessária atualização do contrato de Thielen, para que não haja problemas e desmotivação nos vestiários da equipe. Alinhar os valores de contrato destes jogadores é premissa básica, caso o time de Minnesota queria manter seus dois principais recebedores, produzindo e jogando em alto nível. Pode parecer “simples” aceitar os termos do contrato de Stefon Diggs, quando se trata apenas em valores, mas o resultado desta disparidade monetária aos demais recebedores, sem justifica plausível (resultado, potencial de evolução, durabilidade quesito saúde), pode passar um recado catastrófico ao restante do time em 2018.

 

Por conta do exposto acima, lidar com o jogo de xadrez chamado NFL, onde o tabuleiro de cada time possui 53 peças por temporada, não se limita apenas em trazer os jogadores melhores listados na universidade via Draft ou pagar mais caro por determinadas posições consideradas Premium ou ainda trazer inúmeras peças para uma “peneira” e criar como num passe de mágica um elenco forte oriundo de um desconhecido poço de talentos. Em uma liga onde a estratégia dentro e principalmente fora dos gramados é tão acirrada e com inúmeros detalhes, não se espante em ouvir que uma importante peça responsável pelo "Minneapolis Miracle" foi sacrificada do tabuleiro dos Vikings, afinal de contas, as vezes entrega-se um “bispo” para manter o jogo (equilíbrio salarial do elenco) e chegar ao tão sonhado xeque-mate (Super Bowl).

 

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